Repensando a educação para um modelo 100% online



A força e o avanço da educação online não podem acontecer automaticamente.

É  necessário considerar as metodologias.

por Sofía García-Bullé


O uso de tecnologia para ofertar educação online não é mais a resposta a uma emergência. O tempo passou e a aliança tecnologia-educação tornou-se a nova norma. Entramos na segunda fase, que traz desafios para melhorar a experiência online de alunos e professores.

(...) Mas e quanto a considerações mais avançadas, como design de curso, metodologias de avaliação e a lacuna digital entre os alunos? Abordar essas questões não é mais uma tarefa para o futuro, mas sim uma urgência do presente. No momento, os professores devem estar construindo programas educacionais e ferramentas de avaliação projetados para a educação online desde o início.


Com isto em mente, um grupo de professores liderados por Albert Sangrà, Professor Catedrático de Estudos de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade Aberta da Catalunha assumiu a tarefa de elencar as próximas etapas da modalidade de aulas online.


“Não se trata de ensinar da mesma forma que ensinamos,

mas de digitalizar. Devemos adaptar o ensino

a um contexto diferente, que não seja presencial”.


Sangrà e outros nove professores, com 25 anos de experiência em educação online, trabalharam juntos para fornecer soluções para os principais problemas para transformar a educação 100% online, em um livro intitulado "Decálogo para Melhorar o Ensino Online".


O professor enfatizou a importância de mudar as estruturas de base que costumamos pensar ao produzir e executar programas educacionais. “Não se trata de ensinar da mesma forma, mas de digitalizar. Devemos adaptar o ensino a um contexto diferente, que não seja presencial”, explica Sangrà, que também é Diretor do UNESCO na Cátedra Educação e Tecnologia para Mudança Social.

O compêndio aponta três áreas principais nas quais os professores devem se concentrar na transição para uma melhor educação online.


1. Coloque-se na situação e ajude os alunos a entendê-la

A primeira coisa a entender nas aulas online é que sua condição atual é uma solução emergencial e responde a uma situação crítica. Não podemos esperar que receitas ou metodologias derivadas disso tenham os resultados que desejamos automaticamente no futuro. O que foi construído até agora no campo da educação online foi construído com base nas emergências. E emergências são complicadas: todos as vivem de maneira diferente. Portanto, neste momento, só podemos esperar aproximações e recomendações que nos darão a base para uma metodologia para uma nova normalidade.


De acordo com Sangrà e seus colegas pesquisadores, a capacidade de observar e reagir às diversas formas como os alunos interagem e se desenvolvem em uma dinâmica online em comparação com o presencial é fundamental para estabelecer o discurso e a organização da aula. Superar o distanciamento social, conhecendo os alunos em profundidade, seus comportamentos e seus padrões psicológicos online também é vital para evoluir rapidamente para a nova normalidade educacional.

2. Gestão de recursos e geração de estratégias

Os recursos precisam ser entendidos de forma diferente. É preciso considerar não só os recursos de conteúdo, mas também as plataformas de interação e comunicação. Estar em um espaço presencial oferece a vantagem de horários mais definidos em termos de tempo e períodos de descanso.

Os espaços de educação presencial proporcionam ambientes de sala de aula e grupos recreativos. Aprender em casa não traz esse benefício. A mobilidade reduzida dos alunos torna crucial que eles tenham flexibilidade para fazer os intervalos necessários e interagir com outros alunos.


Os professores devem abordar o uso de recursos com uma mentalidade diferente, mais em sintonia com as necessidades da educação online oferecida a alunos isolados. Isso lhes permitirá gerar estratégias relevantes para lidar com os problemas característicos deste contexto.


3. Desenho de atividades e avaliação

Pensar de forma diferente sobre as atividades da classe e avaliá-las também é uma etapa crítica no estabelecimento de novas regras para a educação online global.


Para o professor, o primeiro passo é diversificar e considerar diversos mecanismos que fornecem informações e ajudam a acompanhar o processo do aluno. Mais do que um instrumento de medida, a avaliação deve ser uma experiência formativa e contínua, que permite aos professores focarem no procedimento avaliativo e fazerem avaliações ao longo de um eixo, ao invés de considerarem apenas dados ou um único resultado. Isso facilita saber o nível de aprendizagem do aluno, ao invés de apenas dar notas.


Que desafios pedagógicos de conteúdo ou implementação você encontrou em sua experiência como professor neste contexto de isolamento prolongado? Quer nos contar sua experiência? Clique aqui no formulário desta página.

Fonte: Observatory of Educational Innovation | Tradução de Ana Braun Endo.

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