O PAPEL DO CUMPRIMENTO DA MISSÃO INSTITUCIONAL NA RETENÇÃO DE ALUNOS


Parece não haver dúvida de que a declaração de missão de uma instituição é razão principal da sua existência, norteando o que ela faz e a quem ela deve servir. Tal missão deve ser considerada um guia a ser seguido de maneira mais aderente possível. A organização deve ter o propósito de bem servir um público de um determinado segmento que ela se propõe a atender.


No nosso caso específico, a instituição educacional, normalmente, apresenta o propósito de educar, formar cidadãos, transformar a sociedade, desenvolver e difundir o conhecimento, enfim, atividades nobres inerentes ao propósito de uma instituição de ensino.


Após esta breve introdução, qual a relação entre o cumprimento da missão e a política de retenção de alunos? A partir do momento que o candidato é aprovado por meio de um processo seletivo, após o pagamento da matrícula, assume a condição de aluno, legitimado pelo processo seletivo e apto a usufruir dos serviços educacionais prestados pela instituição educacional.


Em 2005, os autores americanos George D. Kuh, Jillian Kinzie, John H. Schuh e Elizabeth J. Whitt fizeram uma pesquisa no sentido de descobrir porque determinadas instituições de ensino americanas apresentavam índices crescentes de retenção de alunos ano após ano, ou seja, a evasão era cada vez menor. Eles investigaram 20 faculdades e universidades de diversos tamanhos que vinham apresentando tais índices positivos. Para se ter uma ideia da variedade de instituições, umas atendem menos de 700 alunos outras mais de 20.000 alunos. Faculdades e universidades focadas na pesquisa e outras dedicadas ao atendimento de comunidades carentes e minorias. Das universidades de Miami e de Michigan, consideradas as universidades públicas mais seletivas a instituições como Fayetteville State University e Universidade do Texas de El Paso, que abriram as portas para alunos que estavam mal-preparados para o nível de atividade universitária.


Após aplicação dos questionários em diversos campi a alunos e gestores, concluíram que as 20 instituições pesquisadas que apresentavam índices de retenção crescentes tinham uma característica comum: seguiam rigorosamente a missão escrita. Praticamente não havia diferença entre a missão escrita e a missão praticada.


Voltando à realidade brasileira, há que haver uma conscientização das instituições educacionais que educar pressupõe colocar à disposição dos alunos bons professores em salas de aula, programas de nivelamento de conteúdo, apoio psicológico, psicopedagógico, tutoria, monitoria, aconselhamento acadêmico, assistência financeira e administrativa. Se a instituição educacional não estiver preparada para oferecer esses serviços ao alunado, com certeza, não está cumprindo a sua nobre missão de educar.

Desse modo, deve haver um esforço sistemático das instituições com o objetivo de desenvolver um trabalho para estreitar a distância entre a missão escrita e a missão praticada. A missão escrita poderá ser objeto de análise anual ou a cada dois anos para se adequar às transformações que experimentamos com mudanças de hábitos, costumes e avanços tecnológicos. Cumprir literalmente a nossa missão é a chave do sucesso. Parece simples, mas não o é, uma vez que exige disciplina e determinação. Precisamos nos adaptar às mudanças para o cumprimento da missão e sobrevivência neste segmento, que está cada vez mais competitivo.


Concluindo, gostaríamos de encerrar este tema da missão com um exemplo bastante emblemático da Universidade do Texas de El Paso que, originalmente, servia a elite estudantil, entretanto, teve a coragem da analisar a sua missão e concluir que o papel social da universidade seria mais relevante se servisse a comunidade latina e hispânica. A direção alterou a missão e atualmente a universidade é muito bem-sucedida. Seguir rigorosamente a missão institucional contribuirá, decisivamente, para o êxito da política de retenção.


Miro Severiano Silva Diretor Financeiro da Associação Santa Marcelina

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