Liderando as escolas e o aprendizado em tempos de crise

Acompanhamos com expectativa uma série de webinars realizados por profissionais envolvidos com o segmento educacional. Em uma onda de empatia para este momento sui generis, cada qual busca apresentar as melhores soluções a partir de suas experiências. Fato é que todos precisamos reaprender, por isso,  tomamos a liberdade de reunir algumas estratégias que podem ser úteis neste novo momento:

- Da parte dos diretores e gestores, manter uma comunicação transparente e contínua com os pais e responsáveis de alunos. Não basta suspender as aulas e simplesmente transferir a responsabilidade de aprendizado para os pais. É preciso orientá-los e acompanhá-los e, pelo que temos visto até aqui, poucas escolas parecem estar preparadas para isso. Poucas, inclusive, sabem por onde começar. Quais comunicações deveriam efetivamente ser realizadas?

- Ainda da parte dos diretores e gestores, manter um diálogo constante e frequente com seus professores. Todos são educadores, mas efetivamente poucos estão preparados para ministrar aulas em um processo de aprendizado a distância. Que orientações sua escola tem dado neste sentido?


- Da parte dos professores, seja na educação básica ou no ensino superior, poucos estão de fato familiarizados com boa parte das ferramentas proporcionadas pelas tecnologias educacionais e o que se pode depreender a partir delas. Se este é o caso - e possivelmente é para a maioria - está na hora de correr contra o “prejuízo” em pleno 2020. Afinal, quantos de fato estão aptos e familiarizados com as principais ferramentais das tecnologias educacionais?


Vemos alguns docentes sêniores da USP adaptando-se rapidamente a estes novos tempos. São doutores com mais de 30 anos de prática pedagógica presencial. Mas perceberam que, mesmo em meio à turbulência inicial, a prática pedagógica pode ser facilitada pela plataforma neste novo processo de mediação, como diz o guia Best Pratiques: Online Pedagogy (Harvard University, 2020). Aulas extensas e nas quais não havia muita interação dos participantes podem tornar-se mais dinâmicas, envolvendo e engajando mais os alunos e, ainda, otimizando melhor o tempo.


- Também da parte dos professores, além do melhor conhecimento destas tecnologias educacionais, a forma como desenvolver e transformar as aulas presenciais em processos síncronos e assíncronos é outro desafio, embora aprender a utilizar de fato a ferramenta seja o primeiro passo deste caminhada. Sua escola tem clareza de quais são as ferramentas de tecnologias educacionais disponíveis e as que podem ser utilizadas?


- Finalmente, da parte dos alunos, acostumados demais às aulas presenciais e ao ensino praticamente guiado - seja na educação básica ou mesmo no ensino superior - um desafio novo a ser superado neste momento.


As dicas a seguir foram traduzidas de Best Practices: Online Pedagogy (Harvard University, 2020).


1. Concentre-se na pedagogia, não apenas na plataforma

Os atributos de uma sala de aula física não garantem que uma aula seja eficaz ou envolvente. O mesmo vale para as plataformas online. O tempo pensando em como você deseja ensinar utilizando as novas tecnologias será bem gasto. Em particular, encorajamos você a pensar sobre quais as estratégias de ensino em sala de aula se traduzem bem na configuração remota, quais não são e que novas abordagens você poderia incorporar.


2. Aproveite a interatividade

As tecnologias on-line podem incentivar e facilitar comportamentos mais arrojados do que a sala de aula tradicional. Além disso, a maioria dos estudantes são nativos digitais que já usam tecnologia remota para suas próprias reuniões. Aproveite essas possibilidades.

3. Esta é uma oportunidade para inovar

Embora o ambiente on-line remova o acesso a certos modos de ensino, ele abre uma série de novas possibilidades, algumas das quais você poderá trazer de volta à sua sala de aula física quando a crise terminar. É provável que os alunos perdoem mais erros em um novo ambiente. Aproveite esse momento difícil para experimentar novos métodos e ferramentas de ensino.


4. Defina as normas da sala de aula

Se você usar o Zoom para organizar seu curso, faça circular expectativas claras sobre o comportamento, com normas e orientações personalizadas para este ambiente,  especificando como os alunos devem fazer perguntas, se você deseja que levantem a mão e assim por diante etc..


5. Determine suas prioridades

Ao pensar em continuar as instruções on-line, considere o que você pode realizar de forma realista. Você acha que pode manter seu plano de estudos original? Quais atividades são melhor remarcadas e o que pode ou deve ser feito online? Você enfatizará algumas coisas e enfatizará outras para adicionar engajamento e responsabilidade? Lembre-se do impacto que essa situação pode ter na capacidade dos alunos de atender a essas expectativas. O áudio importa: use um bom fone de ouvido, talvez um com um microfone conectado. O mesmo acontece com os fusos horários: embora o horário da aula não mude, muitos fusos horários de alunos mudarão.


6. Considere aumentar sua energia para estimular a deles

Os alunos que não comparecem a uma sessão ao vivo podem ser convidados a participar de uma discussão entre colegas, escrever uma resposta individual ou simplesmente assistir à gravação.


7. Não espere dominar tudo no primeiro dia

Você aprenderá (rápido). Seus alunos aprenderão (ainda mais rápido). Você pode até reconhecer esse fato explicitamente com seus alunos e convidar as ideias deles sobre como se envolver com / estruturar a tecnologia para seu curso em particular. Convide-os a serem co-criadores em torno da pedagogia.


Ana Claudia Braun é jornalista e sócia da W4 Consultoria (Foto: Visual Hunt).


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